quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Os caras do Vocem – Enrique


Nestário Luiz
19/10/2011

O personagem desta quarta-feira é Roberto Enrique Sisti, o ala Enrique Tuca. Ele nasceu no dia 15 de julho de 1991 em El Dourado, na Argentina. Os pais dele são de Foz do Iguaçu (PR), fronteira com a Argentina, e o jogador nasceu no país vizinho por um acaso. Apesar disso, o coração dele é totalmente brasileiro.

Enrique começou a jogar futsal no Paraguai e sempre atuou em equipes adultas. Em 2008 e 2009 jogou no Club San Pablo. Em 2010 defendeu o Club Sport Central, também do Paraguai. Neste ano Enrique jogou no Toledo Futsal/PR e no Foz Futsal/PR antes de ser contratado pelo Vocem.

Enrique
Enrique jogando pelo Vocem. (Foto: arquivo
pessoal)

Blog: Quando você começou a jogar futsal? Foi em escolinha, clube ou na escola?
Enrique: Em quadras de subúrbio com colegas, onde me falaram para começar a treinar e então passar a praticar o futsal. Conversei com minha mãe e ela aceitou, me colocando em escolinhas para a prática do esporte. Comecei a me destacar entre os meninos da minha categoria e passei então a ter um reconhecimento especial por algumas pessoas da comissão técnica. Daí para frente nunca mais parei de jogar futsal, seja em escolas ou clubes. Por isso sou muito grato ao futsal, foi onde aprendi muitas coisas. Isso me modificou muito: na escola, com colegas e professores. As minhas notas, a relação familiar e minha educação melhoraram muito, ou seja, o futsal me proporcionou tudo isso.

Por quais clubes você passou? Quais as lembranças você guarda dessas equipes?
Passei por duas equipes no Paraguai, mas o campeonato que joguei lá era por temporada, diferentemente do Brasil, onde são anuais. No Paraguai era uma liga de uma cidade chamada Presidente Franco, muito diferente do futsal brasileiro. Os laterais e escanteios eram cobrados com as mãos. Eu não era apoiado muito por familiares, meus pais me cobravam muito, queriam que eu fizesse um curso superior. Até que eles me incentivaram a fazer um teste em Toledo (PR) neste ano de 2011. De 60 meninos passavam dois. Eu me destaquei e passei. Estava mal psicologicamente longe da família, pois nunca tinha ficado sozinho. Surgiu, então, a oportunidade de voltar para minha cidade, Foz do Iguaçu (PR). Fiz a pré-temporada em Toledo e logo fui para o Foz Futsal, onde conheci grandes jogadores. Foi uma ótima experiência e tenho várias lembranças de lá.

Você acompanha as competições estaduais e nacionais de futsal? O que acha do momento do futsal brasileiro?
Com certeza, pois todos que sonham ser jogadores de futsal e viver disso precisam sempre estar ligados, acompanhando para aperfeiçoar e melhorar o rendimento dentro das quatro linhas. O futsal vem passando por um bom momento, a cada dia crescendo mais, só que o problema do esporte é que não tem reconhecimento dos novos talentos, como Gadeia, Dyego, Guina, Jackson, Nando e muitos outros craques do cenário nacional. Tudo é Falcão, mas ele deve se aposentar logo e é preciso renovar.

Em quais jogadores você se espelha? Por quê? 
Espelho-me muito no Ceko, que atuava pela Assoeva de Venâncio Aires (RS) em 2010 e agora está no Foz Futsal, onde ele se machucou e não atravessa um bom momento. O porquê é simples: tive o privilégio de ter uma grande amizade com ele e seus familiares. É um excepcional jogador e uma simpatia como pessoa.


Em qual posição você atua? Quais as dificuldades e as vantagens de se jogar aí?
Sou ala, mas na verdade no futsal de hoje não existe posição, pois atualmente explora-se muito a movimentação. Minha preferência é atuar nas alas. Uma dificuldade é que, às vezes, são bons jogadores de desarmes na marcação. A vantagem de se jogar nas alas é ter o meio ou o corredor da quadra para definir uma jogada individual.

Num mundo tão concorrido como o do futsal, é possível fazer amigos? Você fez muitos amigos ao longo da sua carreira? Qual a sua relação com eles?
É possível. Fiz muitos amigos neste tempo curto em que fiquei em equipes brasileiras. A relação com as pessoas que me aceitam como amigo é de familiares, pois a maioria dos jogadores vem de famílias humildes, onde as histórias são de pobreza, mas a vontade de realizar um sonho é tão grande que fazem mover rochas e eles mesmos se surpreendem no fim.

O que achou de Assis e do Vocem?
Não temos muito tempo para conhecer Assis, trabalhamos forte e com um só pensamento. Fui acolhido como um filho pelo Américo Ribeiro, nosso supervisor, e não tenho nada do que me queixar. Quero sair daqui com a sensação de dever cumprido.

Qual a sua expectativa para o Campeonato Paulista do Interior? Até onde o Vocem pode chegar?
Minha expectativa é grande para este Paulista do Interior, afinal é o nosso principal objetivo. O Vocem pode chegar e disputar uma final. Acredito muito no trabalho da equipe e confio no professor André Luís.

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